"O som não permanece neste mundo; ele desaparece no silêncio."
Daniel Barenboim

sábado, 28 de agosto de 2010

MUDANÇA DE ENDEREÇO

ESTOU MUDANDO DE ENDEREÇO E GOSTARIA DE VÊ-LOS POR LÁ. www.tocadopaulo.wordpress.com

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

POESIA

Dizer o que? Foto de Ansel Adams.

domingo, 25 de julho de 2010

FIM DE SEQUESTRO

Desde o dia de ontem por volta das 17:30, minha mulher e eu vivemos momentos de sequestro. Nos fundos de nosso prédio há um estacionamento que serve a uma escola de natação. Esse estacionamento foi utilizado para uma festa que varou a madrugada, nosso sossego e ouvidos. Acordo lá pelas duas da manhã e não consigo mais dormir até ver o sol raiar. Ouço todas as conversas do povinho que ali estava. A música tocada no aparelho de som era samba. Acredito ter ouvido "não deixe o samba morrer, não deixe o samba acabar..." umas oito vezes. O que mais me irritava, além do volume da música, era a voz de uma mulher. Devia ter em torno de 50 anos; provavelmente fumante; solteira ou descasada com toda a certeza, pois não há homem nesse mundo que consiga viver com aquela voz no ouvido. Eu que não acredito em inferno, gostaria que houvesse um especial só para acolhê-la. Neste inferno eu desejaria que ela estivesse sozinha e seu castigo seria ouvir eternamente a própria voz em gargalhadas como as que ouvi durante toda a noite. Bem, seis da manhã ouço a "santa" dizer pra outra que estava ao seu lado: "não vai não, já vai amanhecer!" Consegui dormir. Acordo, vejo minha corrida e, para meu desespero, a música recomeça. Reclamo com uma mulher que aparece ali no portão. Ela diz que avisou a vizinhança sobre a festa. E daí? Mas estava longe de acabar o sequestro. Agora, enquanto escrevo, ouço a risada da tal mulher, mas a música parou. Mas só agora, dez e cinquenta e nove da noite de domingo. Tudo indica que poderemos dormir em paz. Mas fico me perguntando por que será que precisamos ser invadidos tão descaradamente pelo desejo dos outros? Isso me lembra uma vizinha que tivemos: seus filhos gritavam o dia inteiro e ela, quando reclamávamos, dizia que eles precisavam aprender a lidar com suas frustrações. Ela esquecia que, enquanto eles lidavam com suas frustrações, nós pagávamos o pato.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

JOÃO MARCELLO BÔSCOLI SOBRE ELIS

Gosto do que João Marcello Bôscoli escreve. No último final de semana escreveu sobre sua mãe, Elis Regina. Falando sobre Elis, ele consegue traçar um perfil de como deveriam ser os artistas com A. Sigam com ele.

terça-feira, 6 de julho de 2010

PAPINHA PARA QUEM PRECISA

Tenho ouvido e lido comentários de alguns colegas do meio lírico que dizem que esse nosso país não respeita os bons artistas. Fato. Imagino que em todas as áreas da arte haja intolerância para com aqueles que fazem diferença/diferente. Gosto de citar o meu espanto ao assistir um vídeo dos bastidores de gravação de um cd com cantores populares bem famosos. Estavam todos ali, sentados, acomodados como se estivessem em suas casas (estivessem no banheiro seria igual), aprendendo a música de última hora, resolvendo quem faria o quê. Tive a curiosidade de ver o tal vídeo, pois sua música principal fez um sucesso estrondoso e instantâneo. Digo que, aos meus ouvidos, a música era (e é) uma merda. A melodia poderia ser feita por um imbecíl; a letra, de um "romantismo" infantil; os intérpretes... bem, esses pareciam estar em alfa, com voz nenhuma, sussurrando aquele absurdo. Na minha opinião, nosso país - falo do Brasil, mas esse é um fenômeno mundial - desaprendeu a pensar, a receber algo consistente e mastigar, mastigar; estamos no tempo da papinha. Quanto mais fácil for, melhor. O resultado é que para fazer músicas para pessoas medíocres precisa-se, apenas, de um compositor medíocre, de intérpretes medíocres. Letra... pra quê? É só colocar algo sobre o amor, mesmo que esse "amor" seja apenas uma bela palavra pra "sexo", e pronto: "Ah, a música é linda, a mais linda que já foi feita!!!" Até vir outra pior, claro. Por essa e outras razões os artistas não têm vez. Artista demora pra ser feito. Artista, quanto mais velho, melhor. A matéria prima do artista é a sua vida. A arte fala da vida a partir da vivência pessoal do artista. Esse tipo de gente, o artista, incomoda. E, no Brasil, incomodar é proibido. Quem incomoda é posto de lado. Me lembro de ter lido que o tenor Beniamino Gigli, no auge de sua carreira, foi questionado por uma criança sobre quanto tempo um cantor deveria estudar para cantar como ele. Gigli disse: "Eu acabei de estudar faz cinco minutos." É isso.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

JUAN PONS

Esteve por aqui o barítono espanhol Juan Pons. Apresentou-se no Teatro São Pedro acompanhado ao piano por sua filha Joana. Com sua grande experiência - algo em torno de 40 anos de carreira -, Pons deixou os amantes da lírica felizes. Assisti apenas à segunda parte do recital, que foi de canções italianas e árias de óperas. Lindo recital! A voz é bela mas isso não diz tudo. Juan Pons faz poesia. Posso dizer que foi um espetáculo mágico. Além da apresentação fez três masterclasses com cantores daqui. Tive o privilégio de participar. Ouvimos bons conselhos. Além da experiência, Pons demonstrou grande interesse e generosidade. Sua figura me lembrou de meu maestro na Italia, o saudoso Pier-Miranda Ferraro. Falei sobre isso com o sr. Pons que me disse ter sido, além de vizinho, um bom amigo de Ferraro. Fiquei feliz ao constatar que a semelhança, de certa forma, não era mera coincidência. Bravi, Juan e Joana Pons, e obrigado por tudo o que aqui deixaram.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

IBERÊ CAMARGO: ORIGEM E DESTINO

Acabo de ler o livro Iberê Camargo: Origem e Destino, da CosacNaify. Desde o primeiro contato que tive com sua obra, Iberê Camargo despertou meu interesse. Gaúcho de Restinga Seca, resolveu ser pintor. Durante toda a vida foi fiel a seus pensamentos e sentimentos artísticos. Não é a toa que seu trabalho dispensa assinatura. O livro, escrito de forma simples e envolvente por Vera Beatriz Siqueira, é uma pequena biografia do pintor e seu trabalho, não se detendo em detalhes de sua vida que não sejam relacionados à pintura.

sábado, 29 de maio de 2010

"A MORTE DA VOZ HUMANA"

Este é o título do artigo publicado no Estadão de hoje, 29 de maio, no Caderno C2+música, por João Marcelo Bôscoli, aqui. Ele fala de softwares como o auto-tune. Esses programas, criados nos anos 1990, garantem ao suposto cantor e suposto artista, a afinação adequada das músicas interpretadas. Assim como o photoshop, corrigem as imperfeições das vozes dos ditos cantores. João Marcelo fala do uso desenfreado desse recurso como a "falência da meritocracia". Concordo com ele e vou um pouco mais além. O fim, não da voz humana, mas da capacidade de enfrentar as dificuldades, de vencer as barreiras técnicas impostas pela arte de cantar é visível desde muito. Não apenas no canto mas nas artes de um modo geral. Estamos no tempo da mastigação fácil. Não só a feitura da arte, ou melhor, da dita arte precisa ser imediata, como também, sua assimilação, instantânea. É comum receber alunos que "precisam aprender a cantar pra gravar um cd na próxima semana". Já ouvi de um maestro, que eu não precisaria me preocupar com as questões técnicas de determinado cantor pois "o microfone daria o jeito necessário". Onde é que estamos? Como resultado, temos inúmeros "artistas" que nascem e, graças a Deus, morrem assim como nasceram, instantaneamente. Outros, com o apoio da grande mescenas de nosso tempo, a mídia, sobrevivem e ajudam nosso povo a ser mais alienado. Salvo raros e honrados artistas, a maioria, quando em shows "ao vivo", aproveitam-se de outro recurso eletrônico chamado playback, que os dispensa de cantar. E assim vamos.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

PRICASSO - ISSO MESMO!

Este senhor que pinta com seu pênis e seu rabo é Tim Patch. Chamado, por alguns, de "artista" não só tem fama, como também concorreu recentemente ao principal prêmio da Austrália, Archibald Prize.

terça-feira, 25 de maio de 2010

LIVRO - A GRANDE FEIRA, de LUCIANO TRIGO

Tenho lido A Grande Feira com grande interesse. Luciano Trigo descreve com muita propriedade os porões do mercado da arte. Ele cita, por exemplo, o "artista" Damien Hirst que colocou num aquário um tubarão mergulhado em formol. Essa "obra de arte" foi vendida por milhões de dólares e, não muito tempo depois, o peixinho precisou ser substituído por estar se decompondo. Outra passagem bem curiosa de Hirst eu trancrevo: "Sobre as telas que assina, Hirst já declarou que são pintadas por assistentes: 'Não estou a fim de me preocupar com isso. A pessoa que melhor tem pintado pra mim é a Rachel. Ela é brilhante. O melhor quadro meu que você pode ter é um quadro pintado pela Rachel.'" (pág.89). Que vergonha! Talvez o fato mais curioso seja o de que um diálogo aberto sobre esse assunto não aconteça no Brasil. Parece um tabu. Não se fala. Cala-se a respeito. Me pergunto: e o artista de verdade? aquele cara que vaza pelo seu trabalho, que não consegue ser se não for pela pintura, pela música...? Onde é que estamos? "é arte aquilo que o artista diz que é... é artista aquele que o sistema aponta como artista." (pág.89).

segunda-feira, 17 de maio de 2010

MARCELO GRECO NO CONTRAPONTO

Acabo de voltar de um delicioso bate-papo no Contraponto. Pra quem não conhece, trata-se de um espaço de interlocução sobre arte, psicanálise e filosofia. No momento o Contraponto acolhe a experiência fotográfica de Marcelo Greco. Como é de costume, durante o período da exposição faz-se um bate-papo sobre o trabalho exposto, sua criação e muitos outros fatores que participam do processo de cada artista. Marcelo Greco é um artista que cresceu vendo pinturas sendo feitas por pintores da própria família. Conviveu de uma forma particular, pelo que me pareceu, com a obra de Vermeer que era reproduzida por sua avó. No centro da conversa estavam Simonetta Persichetti, Sergio Fingermann e Greco. Um público de aproximadamente 60 pessoas. A unanimidade foi o quanto a arte está sendo colocada de escanteio em prol de uma multiplicidade de estímulos. Apela-se tremendamente para o espetáculo e não se favorece o silêncio da contemplação. Não se pode fruir a obra de arte em meio a tantos estímulos visuais e, muitas vezes, de outras ordens. Como frisa Sergio Fingermann, hoje andamos em grande velocidade pela estrada e não vemos a paisagem; para vê-la é necessário parar no acostamento, não correr, parar, parar para ver. Creio que essa metáfora se aplica a todas as artes e a toda a vida louca que levamos hoje. Particularmente, o trabalho de Marcelo Greco é tocante. A exposição está no Contraponto - Rua Medeiros de Albuquerque, 55. Maiores informações: contato@contraponto55.ato.br

domingo, 16 de maio de 2010

O REI E EU

Estivemos ontem no Teatro Alfa assistindo ao espetáculo musical O REI E EU. A história é muito conhecida, agradável e politicamente correta. A música é boa. A orquestra muito correta, apesar do achatamento causado pela amplificação. Os cantores... Foi exatamente isso que mais me encantou. Havia ali uma verdadeira "arca de Noé" em se tratando de técnicas diversas. Cantores sem qualquer impostação, cantores com formação lírica e, ainda, cantores Belting, que é a técnica utilizada em musicais. Ambas conviveram muitíssimo bem. Claro que se distinguia perfeitamente cada uma delas, fato que apenas somou. Dos protagonistas posso dizer que encantaram. Tuca Andrada, o Rei, Claudia Netto, Anna e Luciana Bueno, Lady Thiang, estiveram muito bem. Falo particularmente da minha querida amiga Luciana Bueno (fotos), uma das grandes cantoras líricas desse país. Luciana é uma artista generosa. Não se poupa em nada, nunca. Está ali inteira, corpo e alma. Voz linda, marcante, personagem consistente e carismática. Foi uma bela noite!

domingo, 9 de maio de 2010

VISITA AO MUSEU

Estive ontem no MASP - Museu de Arte de São Paulo. Vi trabalhos dos mais diversos períodos e artistas. Apesar de todos os problemas administrativos deste museu é inegável que seu acervo é importante e lindo. Alguns quadros me chamaram a atenção pela vida que transmitem: Constable - vista da Catedral de Salisbury; e Cezanne - O Grande Pinheiro e Madame Cezanne. Esses quadros parecem acenar para os visitantes, tamanho movimento, beleza e vida! Sim, há muitos outros trabalhos ali e belíssimos: Picasso, Renoir, van Gogh, Manet, Monet... e tantos outros, mas eu fui fiquei aprisionado pelos que mencionei. Como isso se explica? As imagens seguem abaixo.

terça-feira, 4 de maio de 2010

ANDREA MATARAZZO

Andrea Matarazzo assume a Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo. Um homem que faz e que respeita. Deixo aqui um forte abraço e desejo de muito sucesso!

quarta-feira, 28 de abril de 2010

TOSCA, Ato III

Tanto a segunda parte do primeiro ato quanto este terceiro ato, foram copiados da wikipedia. O dia amanhece em Roma. Do terraço do Castelo de Sant'Angelo vislumbra-se à luz cinzenta e vermelho-escura da manhã o Vaticano e a Basílica de São Pedro. A hora da execução se aproxima. Um carcereiro chega à cela de Cavaradossi e pergunta se ele quer ver um padre. O revolucionário esquerdista voltairiano responde que não. Ele tem, contudo, um último desejo: quer deixar uma última mensagem para uma pessoa amada. Em troca, oferece ao carcereiro seu anel, única coisa que lhe resta. Chegou a hora de E lucevan le stelle, hora em que as palavras perdem o seu poder de expressão. Suas últimas imagens do mundo, seus momentos felizes ao lado de Tosca. Tosca chega correndo com um papel na mão, acompanhada de um sargento que abre a porta da cela. Abraçam-se, beijam-se, o dueto de amor que se segue é cheio de alegria. Ela conta como deu morte a Scarpia. O dolci mani, ó doces mãozinhas, capazes de matar. Tosca lhe explica, contudo, que ele deve passar por um último ritual antes de escapar daquele inferno: a execução simulada. Sendo, como é, uma artista de teatro, ela sabe todos os truques cênicos, inclusive como cair sem se machucar. Instrui a ele para que não se levante enquanto ela não chamar. O carcereiro chega com os guardas e dizem a ele que está na hora. "Estou pronto," diz Mario. Os preparativos parecem levar uma eternidade, o nervosismo se apossa de Tosca; este é o último ato, a última coisa a fazer antes que possam escapar desse inferno. Mario é posto contra a parede. Atiram, ele cai. Vista de longe, a cena parece perfeita. "Como é lindo o meu Mario," ela exclama. "Que artista!" Os guardas vão embora, e ela se aproxima de Mario. Ao ver que ele está morto, solta um grito. O assassinato de Scarpia foi descoberto, correm atrás dela. Montada no parapeito do terraço, ela exclama: "Perante Deus, Scarpia!" e salta para a morte.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

TOSCA, Ato II

Uma das coisas que mais me impressiona neste ato de Tosca, além da beleza, é a extrema violência. Uma violência exercida em forma de chantagem, cheia de ironia. A moeda de troca pela vida de Cavaradossi é o corpo de Tosca, "por apenas alguns instantes". Scarpia desfia o seu veneno de forma magistral. Ele diz, por ex. : "Há um sabor muito mais forte a conquista violenta do que o melífluo consentimento." "Deus criou diversas belezas e vinhos diversos e eu vou saborear o quanto puder da obra divina..." Um homem totalmente inescrupuloso e um personagem maravilhoso. Tosca, mulher madura, livre, cheia de vida, artista é o grande desejo de Scarpia. Neste ato, ao abrir a cortina vemos o interior dos aposentos de Scarpia. Ele está jantando e aguardando o início da apresentação de Tosca. Chegam seus capangas com o pintor Cavaradossi, preso para interrogatório. Mario nega as acusações de Scarpia. Nisso surge Tosca que foi chamada por Scarpia. Ela se surpreende ao ver ali seu amado. Mario diz a ela para guardar segredo de tudo o que sabe a respeito do prisioneiro fugitivo. Mario é preso e Tosca, impedida de sair dos aposentos do chefe de polícia. Scarpia começa um interrogatório sedutor e Tosca vai se saindo muito bem, até que ele apela para os ciúmes. Tosca se descontrola e tem início um tour de force cheio de beleza e força brutal, onde são exigidos dos cantores as víceras! Tosca percebe que Mario está sendo torturado. Ouvindo seus gritos ela não suporta mais e diz que Angelotti, o prisioneiro, está escondido no poço do jardim da casa de Mario. Cessa a tortura. Trazem Mario praticamente desmaiado e o largam perto de Tosca. A única preocupação de Cavaradossi é saber se Tosca contou o segredo e ela diz: "no, amore, no". Scarpia, maldito, vira-se para o capanga e diz: "no poço do jardim, vá!" Mario junta o resto de força que lhe resta e se diz traído por Tosca. Nisso entram funcionários de Scarpia dizendo que Bonaparte venceu. Cavaradossi canta, então, "Vitória!!!" Curioso que este é um momento bastante esperado pelos amantes da ópera, pois o tenor enfrenta uma nota bem aguda sem qualquer intervenção por parte da orquestra ou outro solista; nos anos de ouro da ópera, os tenores ficavam o maior tempo possível sustentando esse agudo; a plateia, claro, vinha abaixo! Levam Mario para o cárcere e Tosca e Scarpia ficam sós. Aí então ele propõe a troca do prisioneiro por instantes de amor com ele. Tosca ameaça pedir clemência a Rainha. Ele diz: "Vá... a Rainha fará um favor a um cadáver... Como vc me odeia." E ela : "Oh, Deus", já despedaçada. "É assim que eu te quero!" grita Scarpia cheio de desejo. Soam os tambores. Eles param e Scarpia lembra a Tosca que a Mario não resta mais que uma hora de vida. Começa, então, a grande aria da soprano: Vissi d' arte. Tosca diz que sempre viveu da arte e do amor; nunca fez mal a nenhuma criatura. Sempre com fé sincera elevou a Deus suas preces e agora, nessa hora de dor, por que Deus a trata desse modo? Acaba a aria e Scarpia pergunta: "E aí?" Ela sede mas pede um salvo conduto para poder fugir com Mario. Scarpia começa a escrever o documento e ela se dirige à mesa onde ele jantava. Pega uma taça de vinho ao devolve-la à mesa, vê uma faca. Scarpia vem vindo. Ela pega a faca. Ele diz: "Tosca, finalmente minha!!!" e leva uma estocada no peito e outra. Tosca diz: " este é o beijo de Tosca" Scarpia morre. Tremendo, ela ainda pega os candelabros e os coloca em torno do defunto. Está pra sair e se lembra do salvo conduto. Está preso nas mãos de Scarpia. Ela puxa e o guarda. Olha mais uma vez pra Scarpia e diz: " era na frente dele que toda Roma tremia!" Abaixo a cena final do 2ºato com Maria Callas e Tito Gobbi.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

TOSCA, Ato I, 2ª parte

O sacristão entra na igreja com um bando de padres, coroinhas e membros do coro, fazendo algazarra e em grande alegria: parece que Napoleão foi derrotado. Vai haver uma grande festa esta noite, com fogos de artifício e uma cantata no Palazzo Farnese com Floria Tosca. Chega Scarpia, acompanhado de Spoletta e vários policiais. Interroga o sacristão: "Um prisioneiro de estado acaba de fugir do Castelo de Sant'Angelo. Está escondido aqui?" Neste instante, Tosca entra na igreja para avisar Cavaradossi que não poderá estar com ele esta noite devido ao espetáculo no Palazzo Farnese. Enquanto seus homens revistam a igreja, Scarpia dirige-se a Tosca. "Permita-me cumprimentá-la, madame, eu sou seu admirador," diz ele, beijando a mão da famosa diva. "Admiro suas virtudes. São raras as cantoras de ópera que vêm à igreja rezar. Pelo menos a Senhora não faz como certas damas, que entram na igreja para namorar pintores," diz ele, apontando para o retrato da Attavanti. "O que está dizendo?" indaga Tosca, atônita. "Tem provas?" "Por acaso isto é apetrecho de pintor?" diz Scarpia, mostrando a ela o leque com a insígnia da Marquesa Attavanti que encontrou no chão. Num instante, Tosca imagina a cena toda: Mario e a Attavanti se beijando, ela entra na igreja, a Attavanti foge, deixando cair o leque. Corroída de ciúmes, ela sai rapidamente da igreja, que começa a se encher de fiéis, bispos, padres, e um cardeal, para ouvirem um Te Deum que será cantado para celebrar a vitória contra Napoleão. Scarpia ordena a seus homens que a sigam.

terça-feira, 13 de abril de 2010

TOSCA, Ato I, 1ª parte

Interior da Igreja Sant' Andrea della Valle. Após os primeiros acordes da orquestra, abre-se a cortina. Música agitada. Entra Angelotti, prisioneiro político, fugitivo. De combinação com sua irmã, Attavanti, encontra a chave da capela da família. Esconde-se ao perceber a entrada do Sacristão, personagem praticamente comico e um pouco caricato. Reclamando de seus afazeres, o sacristão é surpreendido com a entrada de Mario Cavaradossi, tenor. Cavaradossi é pintor e está na igreja realizando um novo trabalho. O sacristão lhe oferece uma cesta com comida e vinho. Mario não aceita e começa a trabalhar. Tem início a famosa aria Recondita Armonia. Nesta aria, Mario faz algumas comparações entre sua pintura e Tosca. Termina dizendo que seu único pensamento é para a amada. Aplausos! Cavaradossi ouve barulhos e descobre que seu amigo, Angelotti, está ali. De repente ouve-se: "Mario!" É Tosca querendo entrar para ver o pintor. Cavaradossi entrega a Angelotti a cesta de comida deixada pelo sacristão e pede a ele que se esconda e deixe-o dispensar a amante. Indócil e tremendamente ciumenta, Tosca, soprano, entra pela nave procurando uma imaginária rival. Mario, sedutor, consegue acalmá-la até que Tosca reconhece na pintura de Cavaradossi, a figura da marquesa Attavanti. Outra cena de ciúmes! Mais uma vez e a bordo de uma das mais belas melodias de Puccini, Mario canta: que olhos, nesse mundo, podem ser comparados aos seus? Claro, Tosca se derrete. Enfim, após esse belo dueto, Mario consegue voltar sua atenção ao amigo Angelotti. No rápido diálogo, Mario ouve o nome de Scarpia. Este, temido chefe de polícia a quem todos temem, está no encalço de Angelotti. Soa o canhão do castelo! Descobriram a fuga do prisioneiro. A igreja não é mais segura. Angelotti pega roupas deixadas por sua irmã e deixa cair o leque com o emblema da família. Partem.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

TOSCA

Pra começar, indico duas excelentes gravações: o cd, com Renata Scotto, Placido Domingo, Renato Bruson e James Levine, é uma gravação vigorosa e cheia de poesia; o DVD é um registro maravilhoso da bela produção do Metropolitan Opera House. Cenários, figurinos e direção de cena de Franco Zefirelli. Imperdível. A regência precisa do maestro Giuseppe Sinopoli, dá o tom majestoso e cheio de nuances. Cornell MacNeill, grande intérprete do Barão Scarpia. A Tosca de Hildegard Behrens tem tudo o que é necessário à personagem. Há ainda o vídeo do segundo ato com Maria Callas. Esse é indispensável. A boa notícia é que esses registros são encontrados no youtube e eu devo postar alguns belos momentos nos próximos dias.

TOSCA, de Giacomo Puccini

A ópera TOSCA de Giacomo Puccini, estreará no Teatro São Pedro, na cidade de São Paulo, no dia 29 deste mês de abril. Trata-se de uma das mais belas óperas, uma história de amor e morte. É a minha ópera favorita, embora não possa cantá-la. Durante os próximos dias até sua estreia vou postar vários comentários, tentando contar a história e situar os amigos interessados. Tosca, de Giacomo Puccini Regência: Ligia Amadio Direção Cênica: Fernando Bicudo Apresentações: 29 de abril e 02, 04, 06 e 08 de maio